FORTALEZA
A Alcazaba e a Ascensão da Granada Moura
A parte mais antiga da Alhambra é uma fortaleza. Eis a história da Alcazaba, o último reino nasrida que ela protegeu, e o dia em 1492 em que caiu.
Check dates and availability ↗Onde a Alhambra começou
Antes de ser uma cidade-palácio de pátios e fontes, a Alhambra foi uma fortaleza, e a Alcazaba é a parte que guarda essa memória. Ocupando o afloramento ocidental da colina de Sabika, é a secção mais antiga do conjunto que sobreviveu até hoje, com origens que recuam para além dos Nasridas, até fortificações anteriores no mesmo local. Quando Muhammad I fundou a dinastia Nasrida no século XIII e escolheu esta colina para sua sede, foi a Alcazaba que ele reconstruiu e reforçou primeiro, estabelecendo a cidadela militar atrás da qual os grandes palácios viriam a crescer. Ao percorrer as suas muralhas hoje, está a pisar a história fundadora da Alhambra — o coração defensivo que tornou tudo o resto possível. As suas muralhas sóbrias e poderosas são um contraste deliberado com a delicadeza interior, e é precisamente esse contraste que faz todo o sentido.
Dentro da cidadela
A Alcazaba era um mundo militar autossuficiente. Dentro das suas muralhas, é possível traçar os contornos do bairro dos quartéis, onde a guarnição e as suas famílias viviam outrora numa pequena grelha de ruas e casas hoje reduzidas a fundações — um raro vislumbre da vida quotidiana, e não da cerimónia real. Torres imponentes ancoram os cantos e os portões, construídas para defesa e não para exibição. A mais famosa é a Torre de la Vela, a torre de vigia no topo da colina, cujo sino viria a regular os horários de rega da planície de Granada. Ao subir pela fortaleza, passa-se de pátios fechados a muralhas abertas, e a arquitetura diz-lhe claramente para que servia este lugar: vigiar, alertar e resistir a um cerco, protegendo os sultões e os seus tesouros na crista atrás de si.
As melhores vistas em Granada
Há uma recompensa prática por subir à Alcazaba: das suas torres e passadiços obtém-se, sem dúvida, o melhor panorama da cidade. A norte, sobre o vale do Darro, as casas caiadas do histórico bairro do Albaicín descem pela encosta, num espetáculo que atinge o auge ao fim da tarde, quando a luz aquece a pedra. Mais além e acima, erguem-se os picos da Serra Nevada, com neve até bem entrada a primavera, enquanto lá em baixo se estende a cidade moderna e a planície fértil, a Vega, que outrora alimentou o reino nasrida. Como a Alcazaba não está sujeita ao sistema de entrada com hora marcada que rege os Palácios Nasridas, pode geralmente demorar-se aqui o tempo que quiser. Muitos visitantes consideram-na o local ideal para terminar a visita, reconstruindo a geografia de Granada do mesmo ponto de observação que os sentinelas dos sultões outrora ocuparam.
O último reino de al-Andalus
A Alcazaba guardava algo notável: o último estado muçulmano independente da Europa Ocidental. À medida que os reinos cristãos avançavam para sul ao longo dos séculos medievais, no longo processo mais tarde chamado Reconquista, um reino muçulmano após outro caiu, até restar apenas o Emirado de Granada. Durante cerca de dois séculos e meio, os Nasridas resistiram — através da diplomacia, tributos, alianças voláteis e das defesas naturais do seu território montanhoso — enquanto a Alhambra se erguia como capital deste último reduto. Essa sobrevivência precária é parte do que torna o local tão comovente. O refinamento extraordinário dos palácios foi criado por um reino que sabia ser frágil a sua posição, investindo a sua riqueza em beleza mesmo quando o terreno político se estreitava à sua volta. A vigilância da Alcazaba não era cerimonial; era a realidade de um estado fronteiriço.
1492 e o fim de uma era
Em janeiro de 1492, após uma longa guerra e um cerco final, Granada rendeu-se a Isabel de Castela e a Fernando de Aragão, os Reis Católicos. O último sultão nasrida, Maomé XII — recordado na lenda posterior como Boabdil — entregou as chaves da cidade, e os estandartes cristãos foram erguidos sobre a Torre de la Vela, a mesma torre que hoje pode subir. Foi no mesmo ano em que Colombo navegou, e encerrou quase oito séculos de domínio muçulmano na Península Ibérica. Uma tradição romântica conta que Boabdil parou na estrada que saía da cidade para olhar para trás e chorar pelo que perdera, num local ainda chamado 'o último suspiro do mouro' — uma história geralmente tratada como lenda e não como facto, mas que assombra a memória da Alhambra desde então.